Quero que vá tudo pro inferno

16 03 2010

Se “Parei na contramão” foi a “moeda número um do Tio Patinhas”, na história da dupla Roberto e Erasmo Carlos “Quero que vá tudo pro inferno” foi a que fez encher o primeiro cofre. Com um dos refrões mais grudentos do nosso cancioneiro, “Quero que vá tudo pro inferno” marcou época e ombreou-se com dois outros clássicos da música pop que explodiram naquele mesmo ano de 1965: “Help” dos Beatles, e “Satisfaction” dos Rolling Stones.
Destaque do clássico álbum “Jovem Guarda”, esse rock romântico em muito extrapolou as dimensões do conteúdo verbal objetivo da letra da canção e vem, desde o seu lançamento, se prestando a múltiplas interpretações. Pelas motivações mais diversas, de norte a sul do Brasil todos entoavam a plenos pulmões os versos da canção que fazia de uma sintática prosaica, como no uso da rima pobre “inverno”/”inferno”, uma semântica inflamável para os padrões da época. Tanto assim, que a Santa Madre Igreja botou suas mangas de fora e bradou reprimendas públicas ao Rei. Este, içado ao estrelato pela canção, não cuspiu no prato imediatamente, mas anos depois, já devorado pelo reacionarismo igrejeiro, passou a renegá-la. Pena para os fãs que nunca mais tiveram a chance de ver seu representante maior cantando esse petardo contra as condições adversas da realidade imediata, fosse numa perspectiva individual, de fórum íntimo, fosse considerando as possibilidades concretas e/ou utópicas de insubordinação às hegemonias de plantão de todos os tempos.
A canção foi lançada inicialmente num compacto simples em 1965, e regravada em 1975, e segundo contam, foi inspirada por uma namorada de Roberto que estava nos EUA.








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